segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na 
frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, 
acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas 
coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero
do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na 
pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão 
quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é 
grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O
 trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos 
os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos 
nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés 
descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. 
A presença da intimidade legítima. A música que nos faz 
subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O
 banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O 
cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. 
O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que 
acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. 
Todas, simples assim."

(Ana Jácomo) 

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